Até à Morte
Toda a nossa vida cristã assenta, tem por base, uma contradição. É o paradoxo do Evangelho: estar no mundo sem ser do mundo, fazer-se o mais pequenino para ser o maior, deixar tudo para tudo possuir, fazer-se pobre para ser rico, numa palavra, morrer para ressuscitar, morrer para o mundo para viver para Deus.
Tudo isto ensinou Cristo. Mas não só. Provou-o com toda a sua vida, mas de uma forma exemplar e sublime na Sua Paixão e Morte.
No Domingo de Ramos, encontramos, com toda a evidência, aquelas duas vertentes; o triunfo e a derrota. O triunfo, na Procissão de Ramos, a derrota na narração da Paixão; o triunfo do Rei Messias, Redentor e Salvador, a derrota do que é Rei, não segundo o mundo, mas espiritual, manso e humilde, Rei de um reino que assenta na verdade e na justiça, no amor e na paz.
Por ser um Rei assim, é levado aos tribunais, ao Calvário, à morte, e por um só motivo: o amor. Amor ao Pai, cuja glória quer restituir, amor aos homens, porque os quer reconciliar com o Pai.Domingo de Ramos